Terça-feira, 22 de Maio de 2007

Deixe os objectos trocarem de donos

Tralha, tralha e mais tralha. É o que dá vontade de dizer quando necessitamos de arrumar algo e não temos onde.
São gavetas, armários, caixotes debaixo da cama, prateleiras cheias de bibelôs, livros, brinquedos, louças, carrinhos de quando éramos crianças, bonecas ainda em excelente estado de conservação. Pequenas recordações que provocam em nós aquela sensação de incerteza quanto ao guardar porque pode dar jeito e porque foi fulano ou sicrano que deu, ou se havemos de deitar fora porque não interessa e não utilizamos, mas que alguém pode necessitar ou porque ainda funciona.
É bem frequente este tipo de dúvidas que nos assaltam a nossa mente, semeando a dúvida e a culpa quando pensamos em deitar algo fora.
A resposta para combater este receio todo é dar a quem necessita, a quem não tem nada e pode dar uso àquilo que não utilizamos mais.
Lembro-me de certa vez em que fiz uma daquelas limpezas lá por casa. Precisava de espaço, juntei um monte de coisas que já não me diziam nada, roupa que não me servia e se servisse, não tinha coragem de voltar a vestir tais “relíquias”, brinquedos com que os meus filhos já não brincavam, etc. (tudo em bom estado, porque não pensaria sequer em dar algo estragado). Peguei em caixotes, arrumei tudo lá dentro e meti no carro para levar a quem necessitasse. Corri várias instituições para dar tais objectos que já não me serviam para nada mas que não tinha coragem de deitar fora. Fui inclusivamente à Cruz Vermelha e aos Bombeiros, mas ninguém se mostrou interessado em receber tais caixotes de brinquedos, roupas e outras coisas. Andei com tudo na bagageira do carro durante 2 semanas, até que voltei à Cruz Vermelha e entreguei a uma senhora que lá estava e se mostrou interessada. Nem olhei para trás, dada a dificuldade em entregar bens a quem precisava. Durante muito tempo esta questão de ser difícil ajudar alguém necessitado fez-me muita impressão. Se fosse com dinheiro aposto que não teria tanta dificuldade.
 
Mas o que fazer a estes bens? Sim, porque todos os lares estão cheios desta dita “tralha”. Porque não vender? E depois podem fazer o que quiserem, como doar, depositar, remodelar a casa, etc.
Mas vender onde? Os antiquários só querem coisas valiosas, e mesmo assim é um assalto que fazem, vender em feiras de velharias, só com licenças, deitar fora até dói, enfim, o que fazer…..
Que tal fazer uma venda de garagem? Sim, essa coisa que fazem no estrangeiro e que os portugueses demonstram vergonha e receio de ficar mal vistos na sociedade. Apenas teriam de colocar à porta de casa o que pretendem vender. E aposto que essas pessoas preconceituosas seriam os primeiros clientes.
Como é uma iniciativa difícil de levar a cabo, o passo pode ser dado por algum habitante mais corajoso que dê o empurrão à coisa, ou pela autarquia, que poderia incentivar este acontecimento na cidade, incentivando assim à poupança e ao convívio. Apenas um dia por mês bastaria para tal evento.
Que tal o slogan? “Deixe os objectos trocarem de donos”
 
Pois é!!!! Até que seria útil e engraçado, basta por de lado o preconceito e fazer uma limpeza lá em casa.
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publicado por Paulo Batista às 00:40
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4 comentários:
De Espiga a 25 de Maio de 2007 às 15:31
Olá! Munto bem, um lindo blog. Ainda não tive tempo para ler, mas gosto da imagem e das cores. É diferente do habitual. Vai depois dar uma espreitadela ao meu, que recomecei a escrever.
Bjos à família!
De Madalena a 20 de Fevereiro de 2009 às 09:46
Estou com o mesmo problema... "Atirei" aquilo que para mim é desperdício, para muitos poderá ser "um novo candeeiro", para dentro de uma arrecadação, para apodrecer lentamente... Não sei o que fazer a estes objectos pois tenho a sensação de que ninguém os vai querer...

Gostaria de vender... a tal venda de garagem... Mas onde? Num 7º andar em lisboa? Difícil...
Gostava de DAR... Mas... a quem?

Bom, fica o desabafo. Se houver novas ideias, agradeço!
De Paulo Batista a 20 de Fevereiro de 2009 às 11:09
Bom dia Madalena.

Realmente é esse o espirito, sensibilzar as pessoas a darem/venderem os objectos a quem faça falta.
Seria melhor que fossem as autarquias a disponibilizarem os meios para tais eventos, mas como não é possivel, o meio mais adequado são as associações.
Tem também a possibilidade de doar a quem precisa.
Na bolsa do voluntariado, existem imensas associações que necessitam de ajuda.
A ACRENARMO (Peço desculpa mas faço parte desta associação) é uma delas, e como é uma associação com fins não lucraivos, é uma possivel receptora de objectos para a sua sede. Até porque está neste momento a tentar remodelar e decorar o espaço
Se quiser contactar, poderá fazelo pelo email: acrenarmo@gmail.com

Espero ter ajudado.
cumprimentos
De fernanda a 22 de Outubro de 2009 às 09:18
podem dar ao centro reto que eles recolhem em casa

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