Terça-feira, 12 de Junho de 2007

Casamento / Divórcio

divorcio-can.jpgO casamento é nada mais, nada menos do que um compromisso.

O divórcio é nada menos, nada mais do que uma rescisão desse compromisso. 
Mas talvez não seja nem uma coisa nem outra.
Tenho vindo a constatar que a taxa de divórcios tem vindo a aumentar abruptamente de alguns anos a esta data, numa velocidade estonteante, e com um aumento mais acentuado nos primeiros anos de matrimónio.
A que se deve este facto? Qual a razão de uma extinção dos sentimentos amorosos tão repentina? Acho sinceramente que este assunto deve ser bem ponderado, não só pelos que ainda estão solteiros, como por aqueles que já passaram por este acontecimento que é o casamento.
A liberdade de expressão, a possibilidade de escolha, a gestão de carreiras, o sucesso profissional, e muitos outros factores que não mencionei mas que são de igual modo importantes, condicionam totalmente a relação entre duas pessoas. Esta simbiose de factores dos quais não nos podemos aliar, transforma tudo aquilo que foi projectado levando muitas vezes à fácil conclusão de que as relações são tanto mais conflituosas, quanto maior for o tempo de convívio e menor espaço partilhado.
O que se quer dizer com isto?
Quer dizer que na fase de namoro e paixão, onde os sentimentos estão apenas direccionados para a parte afectiva e física, os conflitos não se manifestam com a sua real dimensão, pois estão jogados para segundo plano e não são explorados com maior profundidade.
Depois de um compromisso onde o casal se predispôs a coabitar num recinto comum, partilhar alegrias e tristezas, responsabilidades morais, conjugais e monetárias, aprender e partilhar experiências, sucessos, frustrações, as dificuldades vão aumentando de uma maneira acentuada, principalmente para quem nunca teve nenhuma experiência no que toca à independência e autonomia.
É um desafio muito grande conseguir uma harmonia matrimonial onde o respeito pelo outro seja o elemento preponderante para o sucesso de uma relação.
Penso que só uma preocupação constante e voluntária com o bem-estar do outro, com uma atitude positiva em prol da comunicação entre o casal é que é responsável pelo conhecimento mútuo, pela facilidade de resolução de problemas pela via democrática e de cooperação, pela concretização de um projecto comum em que cada indivíduo se vê forçado a abdicar da sua identidade.
Uma das condições essenciais para o sucesso de uma relação, na minha opinião, é a da comunicação, do respeito pelo outro, e da vontade de querer resolver em conjunto os problemas que surjam, desde os mais íntimos aos mais triviais.
Quando isso não acontece, quando não existe mais esta cooperação entre o casal, o que normalmente acontece é o pior.
Não o divorcio!
Mas sim o nascer da falta de confiança, o crescer do individualismo, a constatação da ausência de objectivos em comum, a inexistência de comunicação e a proliferação de um sentimento de angústia, frustração e sofrimento.
Após o sufoco que a relação vai sofrer com estas diferenças, inevitavelmente acontece o previsto, o divórcio.
Ainda nesta fase, podem agir com sensatez, tentando remendar a situação num último esforço, ou tomar como certa a inevitável separação, agindo com dignidade e respeito pelo outro, mentalizando-se que só têm a perder com o litígio, principalmente quando há crianças pelo meio.
Infelizmente tenho tido algum contacto com situações do género entre amigos, e atribuo o fracasso de uma relação, exclusivamente à falta de comunicação entre o casal.
Quando a relação não dá certo apesar de uma boa comunicação, o fim é dado com ponderação, respeito pelo outro e com a consciência de se ter feito o que se podia, chegando à conclusão de que ambos ficam a ganhar com o divórcio, dando a si próprios uma segunda oportunidade de recomeçar de novo.
 
Muito mais poderia ser dito.
E com isto chego a algumas conclusões pessoais, as quais passo a citar:
 
 - É mais sensato viver com quem gostamos durante uma temporada antes do casamento, possibilitando o adquirir de conhecimento de uma vida a dois, com tudo o que é bom e mau, tornando-se mais fácil e ponderada a tomada de decisão.
 
- Embora não tenha nada contra o casamento, muito pelo contrário, considero que numa situação em que a relação inevitavelmente se degrada, pode tornar-se um factor demasiado pesado para tomar uma atitude sensata, provocando o aumento da angústia.
 
 - O casamento pela Igreja é uma manifestação de crença religiosa e/ou apenas tradição.
 
 - O casamento civil é nos dias actuais um acordo nupcial (pois existem e são reconhecidas por lei, as uniões de facto).
 
 - É imprescindível a comunicação entre o casal, a sinceridade e confiança mútua depende disso e consequentemente, uma relação saudável.
 
 - Se for tomada a difícil decisão de divórcio, é preciso mentalizar-se que independentemente da separação ser amigável ou litigiosa, tem tudo a ganhar, pois não teriam certamente uma vida saudável com o continuar uma relação baseada na divergência e descontentamento mútuos, e não está descartada a possibilidade de uma reconciliação futura, mais adulta, munida de uma predisposição saudável para não repetir erros antigos.
 
 - Por vezes uma separação, por mais dolorosa que seja, é a atitude mais acertada a tomar para o bem de todo o agregado familiar.
 
Em vez de apelidarmos o assunto do casamento e do divórcio, falemos antes da presença do “Amor ou da ausência dele”, servido esta designação standard para todo o tipo de relações.
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publicado por Paulo Batista às 02:13
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