Domingo, 22 de Julho de 2007

“Santos da casa não fazem milagres”

É um ditado popular que, tal como é sua função, se encaixa em muitas situações mas, felizmente, não em todas.

 

Este ditado pretende mostrar-nos que por vezes ter os amigos e/ou familiares nem sempre resolve problemas que surjam, nem mesmo quando pedimos ajuda e auxílio.

 

E por que razão? Será porque exageramos? Porque nos pomos à sombra da bananeira? Porque não somos levados a sério ou não nos levamos a sério? Porque não se querem comprometer na eventualidade de um resultado menos bom ou pelo menos não arriscam correr esse risco? Ou porque na realidade a palavra família/amizade não tem o significado que esperamos que tenha ou que deveria ter?

 

Eu sei, eu sei, tudo depende do que estamos a falar….e eu estou a ser muito vago.

 

É propositado. é que não é a ajuda em concreto que pedimos que quero realçar, mas sim a disponibilidade e vontade de quem pode ou deve ajudar os outros.

 

Se alguém chegado necessitar de ajuda ou se manifestar abertura para receber essa ajuda, eu não concebo outra atitude possível, senão a de pensar incansavelmente em equacionar uma solução para minimizar ou resolver uma dificuldade. Mesmo que tal solução seja difícil de resolver, é de tentar e mostrar que estamos a tentar ajudar, pois essa tentativa transmite força anímica que derrota o cansaço e a frustração que consome a pessoa visada.

 

Esta é a disponibilidade a que me refiro. E é a indiferença e falta de interesse muitas vezes existente que critico, que nos destrói por dentro, que nos faz questionar a importância que temos para os outros, que nos afasta, que nos torna mais azedos e mais arrogantes, que nos transforma e nos molda a personalidade.

 

A maneira que temos para dar a volta a essa situação é a de conseguir vitórias, a de alcançar objectivos, a de provar e mostrar que conseguimos chegar lá sem a ajuda de quem poderia e não se rala. E essa indiferença sentida transforma-se em orgulho próprio à custa de muita decepção, sofrimento, luta, suor e dor.

 

Valerá a pena pensar de outra forma?

Ou continuar com a máxima: “Orgulhosamente sós” ?

publicado por Paulo Batista às 22:29
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O Sr. Pedro

- Onde vamos tomar café?

- Ao Café do Sr. Pedro, conheces?

- Claro que sim, quem não conhece o Sr. Pedro?

 

É natural que nem todas as pessoas tenham o privilégio de conhecer o Sr. Pedro, um senhor com todas as letras maiúsculas, um cavalheiro que transmite uma confiança tal que os clientes mais assíduos vêm nele um amigo e não um funcionário/dono de um qualquer café.

 

Trabalha no ramo já há muitos anos (pelo menos 50, segundo tive conhecimento), tem orgulho na sua experiência e frequentemente põe-nos a mão no ombro e conta-nos peripécias com uma perceptível satisfação e carinho, que nós, clientes, fazíamos quando éramos pequeninos e os nossos pais nos levavam a tomar café ou chá. Agora somos nós a levar os nossos filhos e o Sr. Pedro, ao olhar e falar com eles, tem concerteza recordações de outros tempos, outros cafés…nós também!

 

Com a sua simpatia e boa disposição, cativa todos à sua volta, sente-se uma relação quase familiar com os seus clientes e amigos.

 

A sua longa carreira e farta experiência dão o toque que tantos necessitam e cobiçam.

Ao fim de alguns dias de frequência e regularidade no café do Sr. Pedro, podemos contar com a atenção de ter o café na mesa imediatamente após nos instalarmos, e se for hábito ler o jornal, também o trará se disponível.

 

São estas algumas das atenções que podemos encontrar no café do Sr. Pedro. Estas e outras que não se podem relatar, porque não há como. É o carisma nele existente que nos faz obrigatoriamente cumprimentá-lo quando chegamos e despedirmo-nos quando vamos embora, sempre de maneira afável e respeitosa, quase carinhosa.

 

De forma simples, consegue ter um ambiente acolhedor, à semelhança da sua personalidade.

Não é por acaso que mesmo que o seu café tenha como nome “O Pedro”, nunca ouvi ninguém dizer “vou ao café O Pedro”, mas sim “vou ao café do Sr. Pedro”.

 

 - Muito obrigado, Sr. Pedro, por toda a atenção e amizade ao longo de todos estes anos!

 

CAFÉ PEDRO

 

Sempre pronto e solícito

Rosto simpático e sorridente

O Sr. Pedro é perito

Na profissão competente

 

Corpo esguio, magrito

Muito atento e contente

Tem sempre qualquer dito

Que predispõe a gente

 

Nada lhe escapa

O café, o jornal, o sorriso

Atravessa a sala e estaca

No momento preciso

 

Dos clientes tem o respeito

A amizade e o carinho

Que retribui no seu jeito

Servindo o café quentinho

 

Para todos a palavra amiga

Uma piada engraçada

Uma história antiga

Graciosamente contada

 

Hoje pais, filhos e avós 

Crianças de então

O Sr. Pedro é, entre nós,

Património do nosso coração 

                                                                              De uma cliente reconhecida

                                                                              Isabel Batista

                                                              Leiria,  17/07/2007

publicado por Paulo Batista às 22:20
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Segunda-feira, 9 de Julho de 2007

Bica de Cultura

 

Possivelmente o nome de um novo estabelecimento de restauração e de cultura.
Já existem muitos e para todos os gostos. Bem…..nem todos.
Quase todos os estabelecimentos estão vocacionados para o convívio, o encontro de pessoas, noite, convívio, musica, etc.
Mas do que estou a falar aqui, é de um espaço de alguma amplitude e que sirva para casar todos estas características juntamente com a divulgação da cultura, um serviço aberto ao publico em geral canalizando diversas vertentes da arte, do espectáculo e da imaginação. Local que seja preferencialmente frequentado por um grande número de pessoas, um casamento de café com sala de exposições.
A autoria destes trabalhos e manifestações de cultura, seriam prioritariamente de amadores, de desconhecidos, de pessoas dotadas de uma grande habilidade e sensibilidade, pessoas essas que ao tomarem contacto com o espaço, sejam levadas a pôr de lado o preconceito e o receio de mostrar a sua obra, os seus sentimentos.
Sentimentos esses manifestados através da poesia, da pintura, da fotografia, da música, do design e tantas outras de valor idêntico que se encontram escondidos nos lares e nas gavetas à espera de serem descobertos.
É de um espaço destes a que me estou a referir, que ainda não encontrei, e que pode ser uma ideia interessante de criar.
Este espaço poderia ser criado de raiz, mas também poderá ser inovador, na medida de que bastava reunir esforços e parcerias com outros para que a simbiose se concretizasse.
Por exemplo, uma galeria de arte ou uma associação cultural e um bar com algum espaço disponível, poderiam eventualmente juntar-se e dar a oportunidade á descoberta de novos talentos. E existem tantos talentos escondidos à espera de serem descobertos.
Quem ficaria a ganhar com estas iniciativas? Todos!!!! Os Bares, que teriam mais movimento e que elevavam o seu estatuto e o nível cultural dos seus clientes, as galerias e as associações, pela divulgação do seu trabalho em meios frequentados por pessoas não frequentadoras dos habitáculos culturais, e a sociedade em geral, pois nunca é demais uma dose de cultura acompanhada de um cafezinho ali mesmo ao virar da esquina.
publicado por Paulo Batista às 00:10
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