Domingo, 27 de Janeiro de 2008

Cobertura pode contribuir para a revitalizaçã da baixa de uma cidade (Rua Direita no caso de Leiria)

 

Ruas calcetadas, arquitectura popular, vasos de barro, roupa estendida nas janelas, as vizinhas falando umas com as outras de janela em janela, as sardinheiras, são uma constante nos beirais dando cor ao quadro geral.

Esta é a visão característica de qualquer pessoa, no entanto é estereotipada.

Acontece que nem sempre é assim, nem sempre os moradores cuidam das suas casas e das suas ruas, o trânsito é imenso, o barulho nocturno é ensurdecedor provocado por bebedeiras e música vinda de bares, os marginais vão tomando conta de recantos mais degradados e abandonados, afastando assim as pessoas do seu caminho e passando uma imagem negativa da cidade.

A baixa de uma cidade é a zona onde a tradição deveria reinar, não só pelo seu carisma e pelos seus costumes, mas também pela conservação dos seus edifícios e arranjos exteriores tais como paredes pintadas, fios eléctricos escondidos, canteiros enfeitados com flores coloridas, pavimentos em bom estado e acessível a todos (e quando digo todos, incluo também os cidadãos portadores de deficiência motora, obviamente).

Por motivos económicos e sociais, estes locais tornaram-se em autênticos centros comerciais ao ar livre, o que no meu ver é positivo, pois tem consequências na dinamização do comércio, no convívio das pessoas, na recuperação e restauro de edifícios degradados e provocados pelo efeito do tempo e pelo desinteresse dos proprietários.

Estes são aspectos cada vez mais importantes na vida de uma cidade e que têm aos poucos vindo a sentir-se como uma preocupação.

Nomeadamente em Leiria são vários os interessados na dinamização da baixa: os habitantes, que ainda gostam da sua rua, os comerciantes que sempre se queixam do facto de as grandes superfícies lhes “roubarem” os clientes, e a autarquia que quer ver a sua cidade como destino turístico com um crescente impacto económico.

Mas quanto à necessidade da sua restauração e manutenção, estamos todos de acordo, quanto ao dar o primeiro passo e decidir o que fazer nela para fomentar essa revitalização, é que é mais complicado.

Lembro-me, aquando de um dos meus passeios na Rua Direita da cidade de Leiria, questionei-me do que seria possível fazer nesta rua tão importante para a minha cidade que tanto gosto e tão rica que ela é historicamente “A Rua Direita é torta, o sino está fora da Sé, o rio corre ao contrário e em Leiria tudo assim é!”.

A solução que encontrei e que já por várias vezes me ocorreu, foi a de a proteger e ao mesmo tempo embelezar, inovando em termos decorativos. Uma cobertura que mal se desse por ela, permitindo obviamente a entrada de luz e de ventilação. Parece-me uma ideia muito clara e viável, embora quando transmitida a pessoas amigas e conhecidas, parece muitas vezes ser acolhida como se de uma possibilidade vaga e sonhadora fosse. Provavelmente por eu não ter nenhum poder de decisão na questão e assim a ideia estar condenada à nascença. Não concordo, até porque são as ideias o ponto de partida para o país se desenvolver, basta a pessoa certa ter conhecimento dela e acolhê-la com dedicação.

Questionei-me pela 1ª vez num certo dia chuvoso, porque não havia ninguém na rua, não obstante os comerciantes terem as suas portas abertas e os seus funcionários aguardarem pacientemente à porta pelo seu próximo cliente. Estava a chover….razão mais do que óbvia para qualquer pessoa não pretender andar na rua. Talvez num centro comercial se estivesse melhor…(e lá está....voltamos à velha questão).

Com o tempo dei por mim a pensar como ficaria a Rua Direita com uma cobertura que não só permitisse às pessoas passearem durante todo o ano sem sobressaltos, como também torná-la num objecto arquitectónico único em Portugal e de interesse turístico, tornando esta rua ainda mais apetecível ao comercio e à cidade, protegendo-a das intempéries e dando ânimo aos proprietários para as recuperarem.

É lógico que não é um projecto que se faça da noite para o dia, teria de se fazer um estudo para analisar a viabilidade e impacto, mas nada de extraordinário ao ponto de se desistir da ideia à 1ª dificuldade.

Apesar de tão poucos elogios dirigidos à minha ideia, continuo a pensar que seria um factor determinante no desenvolvimento de bem-estar dos moradores, dos habitantes de Leiria, dos comerciantes e do turismo.

Se por acaso este artigo não suscitar a curiosidade de alguém na autarquia de Leiria, que pelo menos outros sintam a vontade de aproveitá-lo e molda-lo às necessidades das suas cidades, tornando-o útil e valioso.

E como se não chegasse, aqui ter-vos falado nesta ideia, aqui também vos deixo algumas fotografias de vários locais que pesquisei posteriormente na internet e que traduzem e aproximam um pouco a minha ideia e que permitem fundamentar a viabilidade do projecto.

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publicado por Paulo Batista às 23:48
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Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008

Ainda existe encanto nos pátios

Abandonados e esquecidos no tempo, longe dos olhares dos comuns, disponíveis apenas a alguns afortunados que neles vivem, convivem, desfrutam, e se refugiam nestes locais carismáticos e ao alcance de tão poucos.

 

Falo obviamente de pátios. Para alguns é apenas uma divisão de algumas casas, para outros um local quase sagrado, onde a saudade é um sentimento sempre presente, E vem-me imediatamente à memória o titulo do filme de Vasco Santana, o “Pátio das Cantigas”. Pois é, a lembrança não é pela fama do filme, mas pela sua história, pelo seu carisma e tradição, rico em histórias. Histórias essas, que vamos descobrir e desvendar aos poucos com a vossa ajuda nesta visita que vos proponho.

 

Seria uma tarefa compensadora e deslumbrante visitar todos os pátios, descobrir as suas histórias de amor, de paixão, de convívio familiar, de trabalho árduo, de brincadeiras inocentes de criancinhas que agora são adultos e idosos, tradições familiares, hobbies, jardinagem e muitas outras vivências por recordar.

 

Porém, não só as vivências me fascinam, também a arquitectura. Pedaços de muros remendados com um pouco de cimento comprado ali na loja da esquina, a pedra que tanto nos conforta, o musgo que se instala, os vasos velhos e sujos de terra que se acumulam em filas de flores fazendo um arranjo natural de feitios, cores e cheiros. A inevitável presença de materiais ferrugentos, portões, ferragens, ferramentas, e outros objectos. Aqui e ali espreita o tradicional tijolo, como remendo de um buraquito que apareceu, ou simplesmente como banco coberto de uma tábua velha que estava algures ali no canto e que pertencia a uma mobília da qual já ninguém se lembra.

 

Olhar para o tradicional gato que vagueia nas redondezas à procura de um pouco de comida que habitualmente lhe dão, hoje aqui, amanhã ali, dentro daqueles pratos que se encontram cheios de leite ou com restos de peixe do almoço, escondidos na sombra de uma sardinheira.

 

A presença do tanque de cimento, ou a pia, do tempo da Maria Caxuxa, o cheiro a sabão azul, daquele em barra, compõem aquele ambiente tradicional de um pátio com o estendal de roupa a secar ao vento e com aquela nesga de raios de sol que tão difícil são de recolher para alguns, os gritos da avó Matilde a chamar o Joãozinho para vir comer ou para ir pedir uns ovos à vizinha porque os seus não chegam para fazer aquele pão-de-ló delicioso, as tardes silenciosas com um murmurar do rádio sintonizado na Renascença a fazer companhia a uma velhinha a passar o tempo a fazer essas maravilhas em renda, tais como uma colchinha para a sua neta que vai casar, que cada vez mais se ignoram e mais raras se tornam.

 

Pois é….muito se poderia dizer sobre um pátio, a riqueza de um local, vila, aldeia ou mesmo cidade, pode estar um pouco escondida nestes locais e nos seus habitantes. Não devemos ignorá-los mais tempo, devemos recolher toda estas histórias, lembranças e culturas de um habitat tão pequeno e em vias de extinção.

 

Por isso vos peço, ide falar com os vossos pais, avós, tios vizinhos, levai um chá e uma bolachinhas, peçam para irem lanchar lá para fora, dentro do pátio, e descubram estas histórias e ambientes que estão a cair no esquecimento, tirem fotos deles, das plantas, dos gatos, dos pormenores que vos toquem mais no coração, apontem histórias, vivências, acontecimentos, segredos, passados nestes locais, para mais tarde mostrarem aos vossos filhos o significado daquela palavra que vem no dicionário e que deixou de existir fisicamente. O “pátio”

 

Apressem-se, não vamos perder tempo e comecemos a recolher este tesouro que anda por ai espalhado e desaproveitado, quem sabe se o nosso contributo não servirá para perpetuar o verdadeiro carisma destes locais e dos seus habitantes.

 

Para que a recolha seja feita em quantidade e qualidade suficiente para uma triagem rica em resultados, agradeço o envio dos testemunhos que bem entenderem para o e-mail ideiasolta@sapo.pt

publicado por Paulo Batista às 20:00
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Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008

Falar muito e não dizer nada

Tá um espectáculo!
 
Vou começar a prestar mais atenção aos demagogos que por aí andam para encontrar semelhanças, ou mais combinações! Eheheheheh
Tentem fazer todas as conjugações possíveis...
Podem combinar qualquer expressão listada na primeira coluna com as das outras, na ordem 1, 2, 3, e 4.
As variações possíveis são cerca de dez mil.
Este quadro permite ao demagogo falar ininterruptamente por mais de 40 horas, sem dizer absolutamente coisa nenhuma!
 
Divirtam-se!!!!
 
 

Caros colegas,
a execução deste projecto
obriga-nos à análise
das nossas opções de desenvolvimento no futuro
Por outro lado,
a complexidade dos estudos efectuados
cumpre um papel essencial na formação
das nossas metas financeiras e administrativas
Assim mesmo,
a expansão de nossa actividade
exige a precisão e a definição
dos conceitos de participação geral
Não podemos esquecer que,
a actual estrutura da organização
auxilia a preparação e a definição
das atitudes e das atribuições da directoria
Do mesmo modo,
o novo modelo estrutural aqui preconizado
contribui para a correcta determinação
das novas proposições
A prática mostra que,
o desenvolvimento de formas distintas de actuação
assume importantes posições na definição
das opções básicas para o sucesso do programa
Nunca é demais insistir, uma vez que
a constante divulgação das informações
facilita a definição
do nosso sistema de formação de quadros
A experiência mostra que,
a consolidação das estruturas
prejudica a percepção da importância
das condições apropriadas para os negócios
É fundamental ressaltar que,
a análise dos diversos resultados
oferece uma oportunidade de verificação
dos índices pretendidos
O incentivo ao avanço tecnológico, assim como
o início do programa de formação de atitudes
acarreta um processo de reformulação
das formas de acção

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publicado por Paulo Batista às 00:36
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Museu do coleccionismo

 

 

 

Não, não conheço nenhum museu com a temática do coleccionismo em geral, infelizmente, nem na nossa região, nem no nosso país, nem em lado nenhum.

Este tema ocorreu-me quando me questionei sobre a quantidade e qualidade de colecções amadoras existentes e que desconhecemos.

Estou convicto de que qualquer coleccionador tem orgulho na sua colecção, por mais pequena que seja.

Faz parte do perfil do coleccionador, dar mais valor aos objectos que colecciona do que as pessoas comuns, não só pelo valor monetário, mas por possuir este ou aquele objecto que foi adquirido nesta ou naquela circunstância, foi dado por esta ou aquela personalidade, tem este ou aquele valor histórico, etc., e certamente que passará algumas horas a admirar, catalogar e a cuidar dos seus objectos.

Ora são estas colecções privadas que eu como curioso, gostaria de ter conhecimento, para me enriquecer culturalmente, e para que a sociedade em geral tome consciência do valor destes objectos no registo da nossa história.

E acreditem que não estou só a falar de moedas, postais, notas, cromos, e outras colecções mais comuns. Existem colecções muito bonitas dos mais variados motivos e objectos, dos quais não nos passa pela cabeça, alguns até bem bizarros mas não menos importantes.

Gostaria que alguém tomasse a iniciativa de disponibilizar e desenvolver um espaço onde expor todas estas colecções, para que todos estes testemunhos do passado que passam despercebidos a quem não pertenceu a esse tempo ou simplesmente ignora tal existência, não se percam ou simplesmente sejam esquecidos e ignorados.

Penso que seria uma oportunidade que todos aproveitariam com agrado, contribuindo e cooperando com a exibição das suas colecções privadas.

As exposições teriam uma duração limitada a um curto espaço de tempo, e com uma temática de cada vez, pois acredito que os coleccionadores conhecidos, são apenas uma ponta do iceberg de um universo desconhecido e a quantidade de colecções a exibir seriam certamente em numero elevado.

Este tipo de infra-estrutura iria ser responsável pela divulgação de verdadeiros tesouros escondidos e não catalogados, atraindo capitais de coleccionadores e investidores, conquistando um novo mercado inexplorado para a nossa região.

Fica lançado o desafio, só falta mesmo quem o aceite.

 

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publicado por Paulo Batista às 00:19
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